O que é uma obstrução calcificada?
É um entupimento na coronária que é muito rígido, duro. Esta rigidez ocorre porque a gordura foi revestida por cálcio. O cálcio mineraliza a gordura obstrutiva. Esta gordura deixa de ser macia, e se torna uma verdadeira pedra.
Por que a obstrução calcificada representa um desafio?
Antes do stent ser implantado na coronária, a obstrução deve ser preparada para recebê-lo. Esta preparação é muito importante. Se a obstrução não for adequadamente preparada, o balão utilizado para liberar o stent pode não se expandir plenamente. Se o balão não se expandir, o stent também não ficará bem expandido. E um stent sub-expandido não representa o resultado desejado pela equipe médica. A causa mais frequente de obstrução coronariana muito rígida é a calcificação da placa gordurosa. Para modificar a obstrução rígida, e permitir a adequada expansão dos balões, a solução é o enfraquecimento da camada de cálcio presente nas obstruções. Atualmente, a Cardiologia Intervencionista dispõe de 4 técnicas e dispositivos para a preparação das obstruções excessivamente calcificadas:
- aterectomia rotacional – Rotablator;
- balões com lâminas – Wolverine;
- litotripsia intracoronariana – Shockwave;
- aterectomia orbital.
- Aterectomia Rotacional
A aterectomia rotacional está indicada quando a calcificação dos entupimentos coronarianos está próxima ao local por onde o sangue flui. A aterectomia rotacional utiliza um cateter com uma pequena ogiva diamantada em sua extremidade. Esta ogiva, uma vez ativada, gira muito rápido (170.000 rpm). O médico avança e recua suavemente a ogiva sobre a lesão. O diamante desbasta o cálcio da obstrução, como a broca do dentista desbasta o esmalte. A ogiva “lixa” seletivamente o tecido calcificado mais duro em partículas microscópicas, menores que as células vermelhas do sangue. Estas partículas são arrastadas pela corrente sanguínea e eliminadas pelo organismo. O movimento de alta velocidade e a rotação garantem que o tecido mole e saudável da parede arterial não seja danificado. A obstrução fica menos calcificada, menos rígida, com maior aceitação à expansão dos balões. Com o entupimento “amaciado”, se consegue insuflar os balões e colocar os stents de forma adequada, sem risco sua expansão insuficiente. É uma técnica com alguma complexidade em sua execução. Devido a esta complexidade e à própria técnica, as complicações neste tipo de angioplastia podem restar um pouco acima do habitual.

- Balões com lâminas
Os balões com lâminas são balões especiais. Como seu nome sugere, ao serem expandidos, estes balões exteriorizam contra a obstrução calcificada de 3 a 4 lâminas que cortam o cálcio. Esta quebra da continuidade da camada cálcica permite a expansão dos balões a partir dos pontos de fratura decorrentes da ação das lâminas.

- Litotripsia intracoronariana
A litotripsia intravascular intracoronariana é uma técnica minimamente invasiva que utiliza ondas de choque sônicas para quebrar placas de aterosclerose severamente calcificadas nas artérias coronárias. A litotripsia intravascular é um procedimento médico que adapta a tecnologia usada para tratar pedras nos rins para uso dentro dos vasos sanguíneos. A técnica envolve a inserção de um cateter especializado com um pequeno balão em sua ponta na artéria coronária afetada. Emissão de Ondas de Choque: o balão é inflado com baixa pressão e, em seguida, o médico ativa o dispositivo, que emite ondas de choque ultrassônicas localizadas. Essas ondas viajam através do líquido e criam microfraturas no cálcio endurecido da placa, sem danificar o tecido mole saudável da parede arterial. A litotripsia intravascular é considerada uma tecnologia de ponta que oferece uma solução segura e eficaz para casos complexos de doença coronariana calcificada.

- Aterectomia Orbital
A aterectomia orbital (AO) é uma técnica de cardiologia intervencionista que utiliza um dispositivo especializado revestido de diamante para lixar e pulverizar a placa aterosclerótica calcificada dentro das artérias coronárias. O termo “orbital” refere-se ao movimento do cateter, que gira em alta velocidade e, via força centrífuga, “orbita” e remove o cálcio da parede do vaso. O principal objetivo da AO é tratar a doença arterial coronariana gravemente calcificada. O acúmulo de cálcio endurece a artéria, torna-a rígida e difícil de dilatar com métodos tradicionais como o cateter balão. Um fio guia ultrafino é passado através da lesão e o cateter de aterectomia orbital, que possui uma “coroa” elíptica revestida de microcristais de diamante, é inserido sobre esse fio. A coroa é ativada para girar em alta velocidade (entre 80.000 e 120.000 rotações por minuto), criando um movimento orbital que lixa o cálcio endurecido em partículas minúsculas, sem danificar o tecido mole saudável adjacente. As partículas criadas são pequenas o suficiente para serem arrastadas pela corrente sanguínea e eliminadas pelo próprio organismo, sem a necessidade de um dispositivo de extração. Após a preparação e o lixamento do cálcio, a artéria fica mais flexível. O dispositivo de AO é removido e um stent é implantado para garantir a abertura permanente do vaso, restaurando o fluxo sanguíneo adequado.

