O que é o fluxo coronariano?
Antes de respondermos esta pergunta, vamos ver o que são as coronárias.
As coronárias são os vasos sanguíneos que abastecem o músculo do coração, chamado de miocárdio.
As coronárias são os caminhos utilizados pelo sangue para entregar o oxigênio e os nutrientes para o miocárdio.
O fluxo coronariano é a passagem do sangue pelas coronárias.
Se o coração for mais exigido, como numa situação de atividade física ou estressante, ele precisa receber mais nutrientes.
Noutras palavras, o fluxo coronariano precisa ser maior.
O que é a reserva de fluxo coronariano?
É a capacidade das coronárias de aumentar a entrega de sangue e de nutrientes para o coração.
Dito de outra maneira, é a capacidade das coronárias de aumentar o fluxo de sangue que o miocárdio necessita em situações de atividade física ou de estresse emocional.
A capacidade de aumento do fluxo coronariano fica prejudicada se houver na coronária um grande entupimento por gordura. Este entupimento é chamado de ateroma.
O entupimento atrapalha o fluxo coronariano, porque ele ocupa o mesmo espaço originalmente destinado exclusivamente ao sangue. Mal comparando, seria como haver barreiras numa autoestrada: os veículos que por ela transitam necessariamente não conseguiriam manter a mesma velocidade média.
Se o entupimento for pequeno, ele quase não interfere na reserva de fluxo coronariano.
Se o entupimento for grande, ele interfere na reserva de fluxo coronariano.
Alguns entupimentos têm tamanhos intermediários: não são grandes, nem são pequenos.
Surge então a dúvida se eles estariam interferindo no fluxo coronariano, ou não.
Outra causa de limitação do fluxo coronariano seria o aumento da resistência da microcirculação coronariana.
O que é microcirculação coronariana: é a parte microscópica da circulação coronariana,de calibre tão pequeno que não é visualizada no cateterismo cardíaco.
Se esta microcirculação estiver com sua reatividade aumentada, pode reduzir o fluxo coronariano.
Nas situações acima descritas, alguns parâmetros adicionais podem ser avaliados durante o cateterismo cardíaco, como:
– a reserva fracionada de fluxo (FFR), ou iFR, DFR;
– a reserva de fluxo coronariano;
– o índice de resistência da microcirculação coronariana.
A FFR (e/ou iFR, RFR) informa se a obstrução coronariana é responsável, ou não, pela falta de sangue no coração.
Esta falta de sangue tecnicamente é conhecida como
isquemia.
Se a obstrução coronariana causar isquemia, o desentupimento da coronária com a angioplastia melhora o fluxo coronariano.
Se houver sintomas como angina, falta de ar e/ou cansaço, e não houver obstrução coronariana, pode-se pesquisar se há elevação da resistência da microcirculação coronariana.
Se constatado este aumento de resistência, esta informação pode auxiliar o cardiologista na melhor escolha da medicação a ser prescrita.
Como é avaliado o fluxo coronariano?
No cateterismo cardíaco, um fio-guia bem fininho é colocado na coronária e é administrado um relaxante coronariano.
Este fio-guia mede a pressão intracoronariana antes e depois da obstrução coronariana.
Então o software dedicado informa se a obstrução atrapalha o fluxo coronariano de forma importante, ou não.
Para a avaliação da reserva de fluxo coronariano e da resistência da microcirculação, é utilizada uma outra medicação vasodilatadora, chamada adenosina.
Quando se deve avaliar o fluxo coronariano?
Quando a coronária apresentar obstruções de tamanho intermediário – ou moderado, e houver dúvida se a colocação do stent melhoraria o fluxo coronariano.
A resistência da microcirculação pode ser avaliada se não houver obstruções maiores que 50% do calibre coronariano, que poderiam ser responsáveis pela redução do fluxo coronariano.
A figura abaixo exemplifica uma obstrução coronariana que, embora de tamanho moderado, compromete o fluxo coronariano:

